Monitoramento On-line da Sefaz-Ba já tornou inaptas 9,6 mil empresas fantasmas
No mesmo período, foram gerados mais de R$ 389 milhões
em autos de
infração, além da arrecadação efetiva de mais de
R$ 36,8 milhões
Projeto pioneiro no país
para o combate às empresas fantasmas em tempo real, via web, o Centro de
Monitoramento On-line (CMO) identificou e tornou inaptas, entre 2015 e 2017,
9,6 mil fraudadores que atuavam como “laranjas” e empresas constituídas para
burlar o fisco estadual e sonegar impostos. De acordo com a Secretaria da
Fazenda do Estado (Sefaz-Ba), neste período foram gerados mais de R$ 389
milhões em autos de infração com essas ações, além da arrecadação efetiva de
mais de R$ 36,8 milhões.
O auditor fiscal César
Furquim, líder do projeto, explica que a maioria dos casos envolve a utilização
de cadastros de microempreendedores individuais (MEIs), identificados por
ultrapassarem o limite legal de faturamento/compras
permitido para a categoria. Ele afirma que hoje já é possível
identificar uma empresa fantasma antes mesmo desta emitir uma nota fiscal.
“Temos um histórico e as características desses fraudadores, e sabemos quais
são as informações cadastrais deles. Ou seja, já é possível, em alguns casos, evitar
o problema antes que ocorra a irregularidade”.
A metodologia do CMO e seus
resultados, lembra o secretário da Fazenda do Estado, Manoel Vitório, vêm
atraindo a atenção de outros estados. “A ação desses hackers fiscais é alvo da
preocupação de todos os fiscos estaduais em função do avanço das possibilidades
trazidas pela tecnologia, que exigem grande capacidade de monitoramento on-line
por parte do setor público”, ressalta Vitório.
O secretário lembra que o
CMO é uma das ações do programa Sefaz On-line, que vem promovendo intensa
modernização do fisco baiano. “Por meio do Sefaz On-Line, a Bahia tem
implementado um conjunto de ações estratégicas com o objetivo de adequar à nova
realidade dos dados fiscais digitais os processos de fiscalização, arrecadação
e relacionamento com os contribuintes”.
Alertas
para outros estados
Vitório destaca a interação
entre os fiscos: uma das novidades implementadas pela Sefaz-Ba no CMO em 2017
foi o “alerta de irregularidades fiscais”, por meio do qual são enviados
comunicados sobre fraudes detectadas no sistema para o estado de destino da
mercadoria, para que este também possa adotar as medidas cabíveis. O “alerta de
irregularidades” é anexado à nota fiscal eletrônica (NF-e), e somente os fiscos
estaduais têm acesso às informações. A maioria dos casos de fraudes envolve
tentativas de gerar créditos fiscais irregulares, de acobertar cargas roubadas
e de utilizar empresas ‘laranjas’ como fornecedores. Já foram encaminhados, nos
primeiros quatro meses de funcionamento, alertas de irregularidade para outros
estados em mais de 497 notas fiscais eletrônicas, totalizando um valor superior
a R$ 25 milhões em mercadorias acobertadas por esses documentos.
De acordo com o
superintendente de Administração Tributária da Sefaz-Ba, José Luiz Souza, o
objetivo desta nova funcionalidade do CMO “é ampliar a cooperação entre os
estados na fiscalização do ICMS, inibindo a atuação de contribuintes
fraudadores. À medida que as demais secretarias de Fazenda passem a utilizar
esta nova funcionalidade, teremos um poderoso recurso de combate a fraudes
fiscais que extrapolam as divisas estaduais”. Os estados que receberam os
alertas até agora foram Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio
Grande do Norte, Piauí, Sergipe, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Paraíba,
Santa Catarina, Ceará, Amazonas, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, Goiás,
Ceará e Alagoas.
O próprio modelo de
monitoramento on-line desenvolvido pelo governo baiano vem sendo apresentado
para outros estados interessados em adotá-lo. Foram feitas explanações em fóruns
específicos ocorridos em Santa Catarina e em Brasília, onde ocorreu a
demonstração do seu funcionamento para representantes da Receita Federal e
técnicos dos 27 estados brasileiros. Em todas as reuniões técnicas entre as
unidades federadas, a exemplo do Encat (Encontro dos Administradores
Tributários), esse assunto foi discutido e teve seus resultados expostos. Além
disso, representantes das secretarias da Fazenda de São Paulo, Sergipe e
Pernambuco já vieram a Salvador para conhecer de perto a inovação baiana.
Bloqueio
imediato
Segundo o auditor César
Furquim, assim que indícios de fraude fiscal são identificados pelo CMO a
empresa suspeita é tornada inapta o mais rápido possível, por intermédio do
bloqueio imediato da inscrição estadual. A categoria de empreendimentos de
pequeno porte vem sendo utilizada com frequência pelos fraudadores. “Os valores
são em geral pequenos, mas o montante movimentado é grande. Muitas vezes vemos
uma empresa de outro estado emitir dezenas de notas fiscais para um mesmo destinatário,
o que demonstra claramente que existe um conluio entre fornecedor e comprador”,
explica.
Existem ainda as empresas
que vendem muito e não compram nada. “Nessas situações, o Estado deixa de
receber o imposto de todas as partes envolvidas na fraude”. O CMO é dividido em
equipes de monitoramento on-line e ação fiscal localizadas nas diretorias de
Administração da Sefaz-Ba nas regiões Metropolitana (Salvador), Norte (Feira de
Santana) e Sul (Vitória da Conquista), que fazem a cobertura em todo o Estado.
Conforme relata o auditor fiscal Paulo César Moitinho,
“as equipes do CMO foram treinadas para rastrear empresas que se constituem e
encerram suas atividades em curtos períodos, emitindo notas falsas e
acobertando outras práticas criminosas como o transporte de mercadorias
roubadas e as transferências de créditos fiscais ilegítimos para diminuição do
tributo a pagar pelo destinatário das mercadorias, dentre outros”.