Centro de Monitoramento On-line (CMO) da Sefaz fecha cerco aos hackers fiscais
De acordo com a
Sefaz-Ba, por meio do trabalho do CMO e das Inspetorias Fazendárias já foram
tornadas inaptas 6.798 empresas irregulares, e a arrecadação resultante da
dessas ações superou os R$ 33 milhões
A atuação dos chamados hackers
fiscais – fraudadores que atuam no ambiente digital para burlar o fisco e
sonegar impostos – está cada vez mais difícil após a implantação do Centro de
Monitoramento On-line (CMO), modelo de fiscalização via web que identifica e
torna inaptas em tempo real empresas fantasmas e Microempreendedores
Individuais (MEIs) que ultrapassam o limite legal de faturamento permitido por
lei para a categoria. Entre janeiro de 2015 e julho de 2017, 6.798 empresas
foram detectadas e tornadas inaptas por meio do CMO, e já foram gerados R$ 356
milhões em autos de infração e outras autuações estão em curso.
De acordo com a Secretaria
da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-Ba), a arrecadação resultante da ação do CMO
superou R$ 33 milhões no período. Criado e implantado de forma pioneira pela Sefaz-Ba,
o CMO é uma das ações do programa Sefaz On-line, que vem promovendo uma intensa
modernização do fisco baiano.
Em função do conceito
inovador, o CMO vem atraindo a atenção de outros estados. A iniciativa já foi
apresentada na Receita Federal, em Brasília, e em Santa Catarina, durante
workshop sobre novas práticas de combate à sonegação fiscal. Representantes das
secretarias da Fazenda de Sergipe e Pernambuco, além disso, já estiveram na Sefaz-Ba
para conhecer o projeto, que também tem sido tema de palestras durante as reuniões
do Encontro Nacional dos Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais
(Encat).
“O combate à sonegação com
o uso intensivo da tecnologia é um dos pilares da estratégia de recuperação da
capacidade do fisco estadual”, afirma o secretário da Fazenda do Estado, Manoel
Vitório. Ele ressalta que, por meio do Sefaz On-Line, a Bahia tem implementado
um conjunto de ações estratégicas com o objetivo de adequar à nova realidade
dos dados fiscais digitais os processos de fiscalização, arrecadação e
relacionamento com os contribuintes. “Quando o fisco intensifica a sua atuação,
o fraudador passa a ter custos crescentes para atuar, o que amplia a percepção
do risco relacionado à fraude e à sonegação”, explica Vitório.
Bloqueio
imediato
No caso do monitoramento
feito pelo CMO, por exemplo, assim que são identificados indícios de fraude
fiscal a empresa suspeita é tornada inapta o mais rápido possível, por
intermédio do bloqueio imediato da inscrição estadual. O auditor fiscal
César Furquim, que lidera o projeto CMO, observa que a categoria de
empreendimentos de pequeno porte vem sendo utilizada com frequência pelos
fraudadores. “Os valores são em geral pequenos, mas o montante movimentado é
grande. Muitas vezes vemos uma empresa de outro estado emitir dezenas de notas
fiscais para um mesmo destinatário, o que demonstra claramente que existe um
conluio entre fornecedor e comprador”.
Ele explica ainda que, da
mesma forma que existem empresas que vendem muito e não compram nada, existem
as que compram muito e não vendem nada. “Nessa situação, o Estado deixa de
receber o imposto de todas as partes envolvidas na fraude”. O CMO é dividido em
equipes de monitoramento on-line e ação fiscal localizadas nas diretorias de
Administração da Sefaz-Ba nas regiões Metropolitana (Salvador), Norte (Feira de
Santana) e Sul (Vitória da Conquista), que fazem a cobertura em todo o Estado.
Evolução
do fisco
“O programa Sefaz On-Line é a evolução do fisco”, afirma
o superintendente. “Ele é fruto do contexto atual de transformação tecnológica
representada pelos documentos fiscais eletrônicos. Esta nova realidade muda
substancialmente a forma de receber e tratar as informações fiscais do
contribuinte e o próprio planejamento da fiscalização”, explica o
superintendente de Administração Tributária da Sefaz-Ba, José Luiz Souza.
Além do CMO, o superintendente destaca outros projetos
importantes do Sefaz On-line, como o Domicílio Tributário Eletrônico (DT-e),
canal direto de comunicação entre o fisco e o contribuinte, e o Canal Verde
Bahia, que agiliza a fiscalização do trânsito de mercadorias, além da Malha
Fiscal Censitária, que promove cruzamentos de dados dos contribuintes do ICMS,
e do Antecipa, que faz batimentos específicos voltados para as operações
relacionadas à antecipação tributária.
